quarta-feira, 21 de março de 2012

de ponta cabeça

E de repente ali estava eu, de ponta cabeça, com as mãos no chão fazendo uma parada. Ele segurando minhas pernas, meus pés perto de seus olhos ele abria minhas pernas para falar com as pessoas na nossa frente. O sangue descendo pela minha cabeça me faz pensar que vou explodir, e ao explodir pedaços de mim voarão por toda rua e serão pisoteados por pessoas e cavalos e massacrados por caminhões e carros, meus pedaços virarão cinzas enquanto minha cabeça vermelha de sangue pensa em como tudo pode mudar em menos de alguns segundos, as paixões repentinas que nascem virtualmente, os amores de carnaval, o sexo inesperado da noite domingo, a comida que azedou, o pneu do carro furou, os cadernos que cairam na poça d'água, choveu e molhou as roupas no varal, perdeu o emprego, vendeu o carro, não viu a mãe, não falou com o irmão, viaja daqui dois dias, falta de proteina e cálcio no organismo, tesão, tédio, masturbação, sono, preguiça, hora de almoço, hora de lamber o chão, hora de rir, horar de cagar, hora de mandar todo mundo se foder, hora de apertar delete, momento de socar a janela, de pular do prédio, de se afogar na banheira tudo isso enquanto eu de cabeça para baixo segurada pelos pés por um homem, com o sangue fervendo estou indo para cama dormir.

o meu lixo

Quarta-feira, futebol, festa sertaneja, cerveja, casa, noite. Alguém de quem nada se sabe, rindo de piadinhas no facebook e vendo fotos da mulher invejada. Alguém de quem nada se sabe, ouvindo o silêncio dos motores dos ônibus que saem do estacionamento, as freadas dos carros que tentam tirar um racha, o motor da moto que está dentro do quarto e algumas vozes...

As teclas são a melodia para essa noite desesperadora na qual se tem ou não se tem sono, alguns minutos atrás diversão e tensão com os últimos capítulos da novela das 8, e neste segundo melancolia por metro quadrado no olhar de quem não pisca e imóvel sente e não sente nada.

Alguém de quem não se sabe nada nasceu em algum ano, tem 1 metro e pouco de altura, pesa um pouco mais de 50 Kg, estuda, trabalha, anda, senta, ouve, fala, come, bebe, dorme, sabe ler e escrever, tem alergia, dor muscular e respira... alguém de quem não se sabe nada e que também nada é, sozinho em em casa em uma quarta-feira rindo de piadinhas no facebook e vendo fotos da mulher invejada.

Alguém que nada é e que nada se sabe, perdido, desesperado, esvaziado.

Alguém que nada é e que nada se sabe, que não é ouvido, não é falado, não se ouve, não se fala, que se incomoda com a situação de que não é desejado ser ouvido e ao mesmo tempo finge não se incomodar, fala.

Alguém, fala. Para quem?

Para um outro alguém de quem nada se sabe e que também nada sabe desse alguém.  Um alguém que poderia ouvir pois tem ouvidos mas não ouve.

Esse alguém que fala, sente algo que não sabe o que é, está mudo mas sabe falar, tem língua, cordas vocais, lábios, boca e dentes. Esse alguém se importa e fala coisas que podem e não podem ser importantes para você, mas é importante para alguém.



Minhas palavras são minhas ideias, minhas ideias refletem algo que não sei o que é porém é!
Minhas palavras são lixo para você, enquanto minhas ideias são vida para mim.


Quando quiser, sirva-se do meu lixo pois é nele que está minha vida.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

mudança

Quando a gente muda... o mundo muda com a gente?

Quando a gente muda... a mudança machuca?

Quando a gente muda... a gente chora?

Quando a gente muda?

A gente muda quando sentimos um vazio que precisa ser preenchido, a mudança ocorre e de repente estamos sem chão, sem horizonte, sem caminho a seguir. Perde-se a vontade de acender as luzes, e de repente as lágrimas caem e escorrem por uma garganta apertada, na garganta um nó que precisa se desfazer para que a voz fale, o peito apertado se contorce a cada palavra não dita e a cada sentimento reprimido. 
A mudança que ocorre em mim, e que ninguém sabe que mudou, é aquela que causa desespero, escuridão e vazio. O vazio é a pior das sensações, nele um buraco negro no qual não conseguimos medir sua profundidade... Eu não sei quantos metros ele tem de profundidade, mas eu sei porque ele se formou...
Ele se forma porque de repente nos deparamos com uma nova situação, com momentos inesperados, e com pessoas desconhecidas que se tornam parte de você. E em menos de dois dias a mudança vem, os sentimos evoluem, o conhecimento cresce, você descobre uma nova emoção, uma nova energia, uma nova sensação e uma nova paixão... e você não sabe o que fazer com isso, não sabe o que fazer com tudo de NOVO que aparece... esse novo se mistura com sorrisos e olhares que marcam sua memória e se transformam em uma enchente de sentimos aflorados que te fazem chorar ao ouvir Rocket Man do Elton Jhon e te faz fugir da realidade sem querer voltar. Então eu percebo que mudei... e a mudança me asssustada... a mudança me faz valorizar o que tenho, me mostra quem sou e me faz sentir a vida.



"A vida é tão estranha, é como se tivesse uma beleza escondida ... e quando menos se espera aparece, você chora e ri ao mesmo tempo, acho que não preciso de drogas para me sentir vivo" (palavras de um homem de verdade e especial)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

o que te separa dela

A distância entre eles é de 350 km, a divisa de um estado, 500 km, as montanhas de minas gerais, um sotaque diferenciado, o rock e o sertanejo, área de humanas e a área de exatas, uma casa e um prédio, uma cachoeira e um mar, 250 km, um carro e um skate, 327 km, beber e não beber, o tempo entre cada férias de julho, os 350 dias para o próximo carnaval, a noite e o dia, a espera do próximo feriado, a espera da próxima festa,  2.877 km, o Oceano Atlântico.

Entre cada distância um pedacinho de coração é deixado, entre cada kilômetro uma pessoa especial, entre cada montanha uma paixão e no meio do oceano um amor.

Para esse momento deixo uma múscia..."Nosso Mundo" - Barão Vermelho.

Se eu ainda soubesse
Como mudar o mundo
Se eu ainda pudesse
Saber um pouco de tudo
Eu voltaria atrás do tempo
 
Eu não te deixaria
Presa no passado
E arrumaria um jeito
Pra você estar ao meu lado de novo
Eu voltaria no tempo


Pra voltar pra ontem
Sem temer o futuro
E olhar pra hoje
Cheio de orgulho
Eu voltaria atrás do tempo
Eu voltaria atrás
Atrás do tempo

Os nossos erros
Seriam apagados
Nossos primeiros desejos
Ressuscitados
E de novo eu voltaria no tempo

Eu não te deixaria desistir tão fácil
E não te negaria nenhum abraço
De novo
Eu voltaria no tempo

E a gente fez
Nosso futuro
Quase quebrando
O nosso mundo
O nosso mundo
Nosso mundo
A distância entre o início e o final de um arco-íris.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Mais um carnaval

São cinco dias esperados por todo um ano, cinco dias intensos, cinco dias no qual não existe hora para nada... as necessidades fisiológicas do organismo nem se manifestam... sono... fome... sede... para onde elas vão??? No carnaval não existe rotina e você não tem compromisso com nada, não existe preocupação e por cinco dias você simplesmente se diverte, pula, dança, canta e ama.

Os amores de carnaval... sempre aparecem e se tornam inesquecíveis! Junto do vazio que nasce no peito, ficam as marcas das paixões momentâneas, dos romances de algumas horas e a lembrança daquele beijo, daquele abraço, daquele sorriso e daquele olhar.

No carnaval não existe distância, Ouro Preto, Mariana, Varginha, Alfenas, Muzambinho, Paraguaçu, Elói Mendes, Conselheiro Lafaiete, São Paulo, Belo Horizonte... não é preciso contar os kilômetros e nem o tempo gasto entre as cidades, tudo fica perto, todos estão no mesmo lugar, todos juntos, cada sotaque se uni em um mesmo hino em uma só voz... o carnaval de todos os sons, todas as vozes, todas os povos.

 Na quarta-feira de cinzas o vazio chega, o final do carnaval dói, quando se liga a TV e ouve as notas das escolas de samba, voltamos a realidade, a rotina volta, e a ficha cai... é quando percebe-se que tudo acabou.

As novas amizades e os novos amores ficam somente na memória e na relação virtual, é hora de entrar na rede social e encontrar aqueles que passaram alguns momentos com você, em um dos cinco dias de carnaval.

Depois dos reencontros é preciso dormir, comer e beber água... o organismo pede socorro e ao mesmo tempo sente o peso de sair do mundo imaginário, divertido e sem regras do carnaval. 
O corpo tem vontade de mais um carnaval, de mais uma cerveja, de mais uma madrugada na folia e de mais um beijo.  A mente tenta se organizar para voltar ao mundo real. volta a pensar, levanta suas regras, coloca os documentos em dia e lembra da hora de acordar na quinta-feira.  Os olhos se fecham e sonham com os melhores momentos de mais um carnaval.

E no quesito folia, música, bateria e paixão NOTA: 10






Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração!